Untitled, project Open Space Office, 2013

100 x 100 cm, inkjet print

Open Space Office

The series presented here was shot in Portugal over a 3-year period and represents a transformed landscape that portrays the existence of Man as a constructive, reconstructive and contemplative being. The landscape appears completely and irreversibly transformed and it was this transformation that caught my eye and fueled my interest in conducting this project, basing it on this very landscape.
Thus, the work presented aims to portray a reality that suffers an ongoing daily process of rapid transformation. Therefore, the pictures show a temporary reality inserted in a natural landscape undergoing progressive transmutation. They are unique and imposing spaces with a undeniable visual impact which bestow on the images a strong formal and plastic content. I would like to emphasize that these were the aspects I concentrated on and attempted to visually portray the best that this intervention could present to the eye, both in relation to the formal configuration and in relation to the chromatic and lighting harmony that characterize these spaces that create a unique environment. In this way, we can behold a dialogue between Nature and Man’s action, between harmony in a texturized cutting and what develops in it, what involves and transforms it, as is particularly visible in the first images of this series, that portray the idea of an organic whole.
I find it difficult to transmit on film the personal experience and all that one feels and observes at these immense and torn sites, where silence is felt in an unnatural and intimidating way. It is a well know fact that an image cannot replace reality. That is why I chose to include parts of a hidden horizon or an incomplete landscape, in this way suggesting a different perspective, since the proximity to these sites which grow in the opposite direction to what is normal, are usually unobserved by the spectator almost giving them the chance to rebuild them.


Open Space Office book | Softcover (360gr); 28,5 x 37,8 cm; 44p.; self-published; 500 copies; 2013.


Open Space Office (pt)

A série aqui apresentada foi realizada em Portugal durante 3 anos, e representa uma paisagem transformada que reflecte a existência humana como ser que constrói, reconstrói e a contempla. A paisagem aparece-nos, irreversivelmente, transformada tendo sido esta transformação que despertou o meu interesse para a concretização deste projecto, tomando, deste modo, a própria paisagem e respectiva matéria como referência.
Assim, estes trabalhos são acima de tudo representativos de uma realidade que sofre diariamente um processo acelerado de transformação. Portanto, as imagens não mostram mais do que uma realidade transitiva, numa paisagem natural paulatinamente em transmutação. São espaços imponentes únicos, de inegável impacto visual que conferem às imagens um grande conteúdo formal e plástico. Saliento, que estes foram os aspectos em que me concentrei, e visualmente tentei mostrar o que de melhor esta intervenção poderia oferecer ao olhar, quer ao nível da configuração formal, quer ao nível da harmonia cromática e lumínica que caracterizam estes espaços criadores de um ambiente sui generis. Neste sentido, estamos perante um diálogo entre a natureza e a acção humana, entre a harmonia do recorte texturizado e o que nele cresce, o que a envolve e transforma, como é particularmente visível nas primeiras imagens desta série, dando quase a ideia de um todo orgânico. Considero difícil transpor para a película a experiência pessoal de tudo o que se sente e de tudo o que se observa nestes locais rasgados e imensos, onde o silêncio é sentido de uma forma “anormal” e intimidatória. É sabido que a imagem não substitui o real.
Optei, por isso, por recortes integrantes, parcelas de horizonte escondido, de paisagem incompleta, propondo assim, outro modo de ver, já que a proximidade a estes locais, que crescem também no sentido inverso ao habitual, passam despercebidos ao espectador quase como lhe dando a oportunidade de os reconstruir.