Lapa do Lobo, project Rua da Cabine, 2013

100 x 126 cm, inkjet print

Rua da Cabine

One of the most impressive memories of mine is the one of Cabine Street, at Lapa do Lobo. It was where I spent a great number of my school holidays, in the house, at my grandparents' grocery or at Vale do Boi, where my grandfather did his farming.

Everything changed.

Today, there are no more regular meetings with friends and cousins, no family Sunday lunches, no more ball playing nor trailed trips to the field riding my grandfather's bike, no smell of Kentucky cigarettes in the tavern nor football reports, and no older people conversations nor their wine cups to be washed. The oldest grocery in the village doesn't have its former splendour. The street where it stands is but a path between houses and backyards, where footsteps are scarcer and scarcer.

Lead by an interior motivation and by means of an intimate narrative, I felt the urge to interpret this duality of strong emotions and thereby create a series of images which, besides visually exploring the concept of identity could also establish a connection between Yesterday and Today.

Could there be any better word to describe this relation than Life?

The selection of photographs which shape this volume result also from both the presence and the absence of my grandfather.
To live and to perpetuate his memory has become my privilege now.
My grandfather's name was Fernando Ramos.

I lost him in January 2013, already in the course of this work.

Rua da Cabine, project from the book "Lapa do Lobo" - commissioned work by André Cepeda, Tito Mouraz, José Pedro Cortes, José Bacelar, Paulo Catrica and Ângela Berlinde. Supported by Fundação Lapa do Lobo.



Rua da Cabine (pt)

Se há memórias que me marcam, a Rua da Cabine, na Lapa do Lobo, é uma delas. Ali passei grande parte das minhas férias escolares, entre a casa e a mercearia dos meus avós maternos e o Vale do Boi, onde o meu avô amanhava a terra.

Hoje, tudo está diferente. Já não existem os habituais encontros com os amigos e primos, os almoços familiares de domingo, os pontapés na bola, as idas para o campo atrelado na bicicleta do meu avô, o cheiro a cigarros Kentucky da tasca, os relatos de futebol, as conversas dos mais velhos e as respetivas taças de vinho para lavar. A mercearia mais antiga da aldeia já não tem o brilho de outrora. A Rua que a serve não passa agora de um trajeto entre as casas e os quintais, um caminho cada vez menos palmilhado.

Impulsionado por uma motivação interior e através de uma narrativa íntima, senti a necessidade de interpretar esta dualidade de emoções fortes e assim criar uma série de imagens que, além de explorar visualmente um conceito de identidade pudesse também estabelecer uma ligação entre o Ontem e o Hoje. Haverá melhor termo para descrever esta relação do que a palavra Vida?

A escolha das fotografias que dão corpo a este volume, são também o resultado entre a presença e a ausência do meu avô.

Viver e perpetuar a sua memória é agora um privilégio.

Fernando Ramos era o meu avô. Perdi-o em janeiro de 2013, já no decorrer deste trabalho.